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Cecília Meireles (1901-1964)

Sabia que a escritora brasileira Cecília Meireles recebeu post mortem o Prémio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 1965 pelo conjunto da sua obra?

Nascida a 7 de Novembro de 1901, Cecília Meireles foi uma personagem polémica na sociedade brasileira, rompendo com todos os tabus ao defender uma política menos casuística e uma educação moderna nos anos 30.

Segundo Valéria Lamego, é através dos artigos sobre política, educação e cultura desta escritora que se vê a sua outra face, considerada de musa diáfana, fluida e etérea da literatura brasileira. Sinónimo de ilha e isolamento, a escritora cuja poesia não estava “inserida no drama colectivo da sua geração, deixou as suas marcas como defensora da ideia universal de democracia, num período em que a incoerência e as paixões pelo autoritarismo arrastaram jovens intelectuais”.

Órfã de tenra idade, Cecília Meireles, para além de poetisa, foi também professora, pedagoga e jornalista. Como poetisa foi altamente personalista, frequentemente simples na forma mas contendo imagens e simbolismos complexos. Embora tenha vivido sob a influência do Modernismo, apresenta na sua escrita técnicas do classicismo, gongorismo, romantismo, parnasianismo, realismo e surrealismo, sendo esta a principal razão da sua poesia ser considerada intemporal.

Escreveu também em prosa, dedicando-se a assuntos pedagógicos e folclóricos. A sua prosa lírica tem como temáticas a sua infância, as suas viagens e crónicas circunstanciais.

Para além do Prémio Machado de Assis, Cecília Meireles recebeu em vida o Prémio Poesia também da Academia Brasileira de Letras (1938). Em 1952, recebeu o Grau de Oficial da Ordem do Mérito no Chile e no ano seguinte, quando participou no Simpósio sobre a obra de Gandhi na Índia, foi condecorada com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Deli.

Mais pormenores sobre a obra e vida desta poetisa brasileira irão ser trocados e discutidos na próxima Roda de Leitura na Biblioteca Pública de Évora com o leitor-guia Fábio Mário Silva, no próximo dia 23 de Outubro às 21h30. Até lá fique com um poema:

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?

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Posted in: Sem categoriaComentários Desativados em Sabia que Cecília Meireles recebeu o Prémio Machado de Assis?