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23 de Fevereiro | quarta-feira | 21h00

Leituras de Ciências, Artes e Sociedade

“O CORPO PENSANTE”

10 livros sobre dança

por

Vera Mantero

(Coreógrafa)

Entrada livre mediante inscrição prévia

Para ela a dança não é um dado adquirido, acredita que quanto menos o adquirir mais próxima estará dela, usa a dança e o trabalho performativo para perceber aquilo que necessita de perceber, vê cada vez menos sentido num performer especializado (um bailarino ou um actor ou um cantor ou um músico) e cada vez mais sentido num performer especializadamente total, vê a vida como um fenómeno terrivelmente rico e complicado e o trabalho como uma luta contínua contra o empobrecimento do espírito, o seu e o dos outros, luta que considera essencial neste ponto da história.

O nome de Vera Mantero é geralmente associado à dança contemporânea, no papel de bailarina e sobretudo de coreógrafa. Mas Vera Mantero é também muitas outras coisas, possui várias facetas. Criou ao longo do tempo e continua a criar diferentes abordagens às artes.

Tendo consciência da importância e do contributo de Vera Mantero à Dança e às artes performativas, a Biblioteca Pública de Évora convidou a coreógrafa para falar aos eborenses sobre a sua área, através de 10 livros para ela considerados essenciais, numa sessão a que a própria deu o título de “O Corpo Pensante”.

As Leituras das Ciências, Artes e Sociedade integram-se num programa de divulgação científica da Biblioteca Pública de Évora que procura aproximar o cidadão das áreas científicas e sociais por via dos livros julgados essenciais por especialistas das diversas áreas. Esta actividade contou já com figuras de relevo da nossa sociedade, tais como Nuno Crato, Carlos Fiolhais, Paquete de Oliveira, Diana Andringa ou Daniel Sampaio, entre muitos outros.

A sessão é de entrada livre, embora esteja sujeita a marcação.

Para reservar o lugar basta proceder à inscrição on-line através do sítio da BPE em http://www.evora.net/BPE/ ou através do número de telefone 266 769 330.

Vera Mantero

Biografia

Estudou dança clássica e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989.

Começou a sua careira coreográfica em 1987, e desde 1991 tem mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Brasil, Canada, EUA e Singapura.

Destes trabalhos destacam os solos “Uma rosa de músculos” (1989), “Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois” (1991), “Olympia” (1993) e “uma misteriosa Coisa, disse o e.e.cummings*” (1996), como também as peças de grupo “Sob” (1993), “Para Enfastiadas e Profundas Tristezas” (1994), “Poesia e Selvajaria” (1998), “Até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza” (2006) e a sua última criação “Vamos sentir falta de tudo aquilo de que não precisamos” (2009).

Vera Mantero participa regularmente em projectos internacionais de improvisação como “Crash Landing” e “At the table”, iniciativas da coreógrafa Meg Stuart, e “On the Edge”, iniciativa de Mark Tompkins.

Desde o ano 2000 dedica-se igualmente ao trabalho de voz, cantando repertório de vários autores e co-criando projectos de música experimental.

Representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo 2004 em parceria com o escultor Rui Chafes com a peça “Comer o Coração”.

No ano 2007 Vera Mantero co-realizou e montou a sua versão do filme “Curso de Silêncio” (co-realização com Miguel Gonçalves Mendes).

Em 1999 a Culturgest organizou uma retrospectiva do seu trabalho.

No ano de 2002 foi-lhe atribuído o Prémio Almada (IPAE/Ministério da Cultura Português) e no ano 2009 o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete.

Para ela a dança não é um dado adquirido, acredita que quanto menos o adquirir mais próxima estará dela, usa a dança e o trabalho performativo para perceber aquilo que necessita de perceber, vê cada vez menos sentido num performer especializado (um bailarino ou um actor ou um cantor ou um músico) e cada vez mais sentido num performer especializadamente total, vê a vida como um fenómeno terrivelmente rico e complicado e o trabalho como uma luta contínua contra o empobrecimento do espírito, o seu e o dos outros, luta que considera essencial neste ponto da história.

25 Fevereiro | sexta-feira | 18h00

Cinema na Biblioteca

CICLO GUTEMBERG, LUMIÉRE E COMPANHIA

FILME DO MÊS: Billy Elliot, de Stephen Daldry

Público: M/12

Entrada livre mediante inscrição prévia

Quando Billy, um rapazinho de 11 anos, descobre uma classe de ballet que partilha o ginásio com o seu clube de boxe, há algo na magia dos movimentos que capta a sua atenção.

E depressa troca as lições de boxe pelas de ballet, sem que a família o saiba.

O pai e o irmão de Billy, ambos envolvidos numa greve de mineiros, lutam para pôr comida na mesa. As suas frustrações vão ao rubro quando descobrem que Billy anda a gastar o dinheiro das aulas de boxe numa ocupação pouco masculina.

A professora de ballet convence Billy a prosseguir as aulas sem pagar, mas não consegue fazer o pai de Billy compreender o talento do filho.

Enraivecido pela incompreensão da família, Billy executa uma dança só para o seu amigo Michael, mas é visto a meio da interpretação pelo pai. Descobrindo ali mesmo o talento do filho, o pai garante-lhe que terá a sua oportunidade de ir a uma audição a Londres. Com a ajuda dos outros mineiros, Billy e o pai chegam finalmente a Londres para o grande dia…

26 Fevereiro | Sábado | 16h30

Apresentação do livro

GENTE COMUM – uma história na PIDE,

de

Aurora Rodrigues

Com a presença da autora e apresentação por Diana Andringa e Afonso de Albuquerque

Organização: Editora 100 Luz | Livraria Na sombra dos livros, Lda. | Biblioteca Pública de Évora

Público: em geral

Entrada livre mediante inscrição prévia

Gente comum – uma história na PIDE é um relato transcrito, revisto e editado, centrado nos primeiros vinte e cinco anos da vida de Aurora Rodrigues.

Perpassados pelas vivências no Alentejo, que lhe permitiram granjear uma consciência de si e do mundo pelo contexto social, histórico e político, mas igualmente pelas sociabilidades estreitas – no âmbito da família, dos vizinhos e dos amigos – esses anos foram também marcados por duas tenebrosas prisões, como militante do MRPP. Em 1973 foi sujeita a dois períodos contínuos de tortura de sono de 16 e 4 dias, com 24 horas completas, intervalados apenas por uma semana, e espancada selvaticamente por parte de agentes da PIDE-DGS. Dois anos depois foi o COPCON que a prendeu de novo em Caxias, com várias centenas de outros militantes do MRPP, sob condições inauditas e duma perigosidade incontrolável.

Aurora Rodrigues resolveu contar, porque há deveres de memória. Para que não se construa sobre o esquecimento uma sociedade, para que não se desbarate a dimensão da esfera pública e para que não se perca o sabor da vida.

Aurora Rodrigues foi militante do MRPP durante seis anos, tendo sido presa pela PIDE em Maio de 1973 e sujeita a tortura. Como mais de 400 militantes daquele partido maoista, voltou a ser encarcerada pelo COPCON em Maio de 1975. Cessou toda a sua actividade partidária em 1977. É magistrada do Ministério Público no DIAP de Évora.

A recolha, introdução, contextualização e notas são de António Monteiro Cardoso (Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE/IUL e do Instituto Politécnico de Lisboa) e de Paula Godinho do Departamento de Antropologia e do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional ambos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/UNL)

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