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Sete Dias, Sete Livros, Sete Tesouros [O que é isto?]

A origem da imprensa em Portugal está relacionada com o período de afirmação da independência nacional. Nas décadas posteriores ao domínio filipino, surgiram em Portugal folhetos noticiosos e políticos, publicados periodicamente, e que exaltavam os valores nacionais e encorajavam à mobilização para a luta pela independência. “A Gazeta”, divulgada pela primeira vez em 1641, foi pioneira, noticiando os sucessos das tropas portuguesas. Entretanto, surge o “Mercúrio Português” que tentou “reproduzir” os periódicos que iam surgindo nos países nórdicos. Os estudiosos da imprensa periódica sustentam que havia diferenças claras entre os “mercúrios” e as “gazetas”, possuindo estas um carácter mais noticioso, e os primeiros um carácter mais político.

No século XVIII a Europa assistiu a uma “explosão”de periódicos. Em Portugal destacou-se a “Gazeta de Lisboa”, datada de 10 de Agosto de 1715, que continha muitas notícias do Estado e contava com a organização e redacção de José Freire Monterroyo Mascarenhas.
Estes primeiros periódicos revelam já algumas características do jornalismo moderno, utilizando uma linguagem clara e concisa e apresentado noticias que podem ter seguimento num número posterior.

BPE – Res. 443, 444, 448, 451, 457, 461, 463 e 466
Gazeta em que se relatam as novas todas que houve nesta corte que vieram de várias partes

Folhas noticiosas que surgiram no período da Restauração e dedicavam-se sobretudo a relatar noticias das operações militares e diplomáticas, organizadas por ordem cronologia e de importância. Incluíam igualmente uma secção intitulada “Novas de Fora do Reino”, que correspondia, nos dias de hoje ao Caderno Internacional, e um segmento dedicado à vida social com anúncios relativos a festas, casamentos, óbitos, espectáculos e livros.
A série existente na BPE situa-se cronologicamente entre 1641 e 1647 e faz parte da colecção Papeis pertencentes á restauração formada por 30 volumes e doada por Manuel de Carvalho. O primeiro número, correspondente ao mês de Novembro de 1641, serve de rosto à colecção. O número de páginas de cada gazeta varia entre as 6 e as 16 o mesmo sucedendo com o preço pois eram taxadas segundo a quantidade de folhas.
A sua impressão era algo irregular. Costumavam sair mensalmente, mas podia ser bimensal ou bimestral. Existe uma lacuna nos meses de Julho a Outubro de 1642 que se deveu a decreto de supressão que proibiu a impressão das gazetas com notícias do reino e no estrangeiro devido “á pouca verdade de muitas e ao estilo de todas elas”. Contudo, a suspensão terá ficado a dever-se ao facto de as Gazetas denunciarem com frequência a localização dos exércitos e as movimentações diplomáticas de D. João IV.

BPE – Res. 461
Mercurio Portuguez, com a recuperação da Praça de Arronches e os mais successos deste mez de Setembro do anno de 1664
O Mercurio Portuguez é o primeiro periódico político português, publicado em Lisboa entre Janeiro de 1663 e Dezembro de 1667, e cujo nome, à semelhança de outras publicações europeias, é uma referência ao simbolismo do mensageiro dos deuses. O seu diretor e redator foi o escritor, político e diplomata António de Sousa Macedo, considerado por alguns o primeiro jornalista português. Era publicado mensalmente, tinha como objectivo dar “as novas da guerra entre Portugal e Castela” e “tapar a boca aos castelhanos”, criando uma opinião pública favorável às acções da Restauração. Era um jornal que pretendia representar a nova elite política, liderada pelo Conde de Castelo Melhor, claramente partidária e apologista da “luta armada” contra os castelhanos, o que lhe granjeou vários adversários entre os quais o mais famoso foi o Padre António Vieira. Incluía ainda muitas outras informações, tanto do país como do estrangeiro. Na BPE existem apenas os exemplares relativos aos meses de Setembro e Novembro de 1664.

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