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FERNANDO NAMORA

CAVALO DE BRONZE

Ao chicote do sol
relincha colérico
o cavalo de bronze
na praça do sol
no pasmo de bronze

No galope de lume
na fúria contida
de tendões vibrando
relincha o corcel
na praça do sol
da estátua de bronze

E a gente que passa
na praça do sol
sonâmbula e cega
de uniforme vestida
de bronze moldada
no pasmo do sol
da vida pasmada
na praça aturdida
de sol coalhada
no cavalo de bronze
se vê fustigada

Não precisa de espaço
a sua corrida
não precisa de água
a fúria contida
é de pedra a ira
nos olhos vazados
do corcel de bronze
que galopa ao sol
da estrada de bronze

Mas não pára o chicote
de o expulsar
da ira de bronze
no pasmo do sol
na estátua de bronze
da praça moldada
em gente aturdida

Num dia de sol
num corpo de bronze
a vida foi vida
sonhada perdida
num corpo de bronze
num dia de sol
do cavalo de bronze

Não há ira nem sol
não há gente acordada
não há gente com vida
se o cavalo é de bronze
num chicote sem ira
da praça pasmada
do cavalo de bronze
do cavalo
de bronze.

                                          

                                 MARKETING

                                   1959-1969

Fernando NAMORA
Marketing
Mem Martins: Europa
Cota: 821.134.3-1  NAM/MAR

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