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JOSÉ SARAMAGO

DO COMO E DO QUANDO

E quando não se calam os protestos
Do sangue comprimido nas artérias?
E quando sobre a mesa ficam restos,
Dentaduras postiças e misérias?
E quando os animais tremem de frio,
Olhando a sombra nova de castrados?
E quando num deserto de arrepio
Jogamos contra nós cartas e dados?
E quando nos cansamos de perguntas
E respostas não temos, nem gritando?
E quando às esperanças aqui juntas
Não sabemos dizer como nem quando?

                

                 OS POEMAS POSSÍVEIS

                                   1966

José SARAMAGO
Os Poemas Possíveis
Lisboa: Caminho, imp. 1999
Cota: 821.134.3-1  SAR/POE

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