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BOCAGE

LIBERDADE QUERIDA E SUSPIRADA

Liberdade querida e suspirada,
Que o Despotismo acérrimo condena; Liberdade, a meus olhos mais serena
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te e por gozar-te a face amena!
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada!

Vem, ó deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, ó consolação da Humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha!

Vem! Solta-me o grilhão da adversidade! Dos Céus descende, pois dos Céus és filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!

BOCAGE
Opera Omnia I
Lisboa: Livraria Bertrand, 1969
Cota: B 121.050

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